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Introdução
A família de recursos educacionais Calf Notes continua com “O que está acontecendo?” — uma série de vídeos que destaca fotos reais e situações de manejo coletadas ao longo de mais de 40 anos de trabalho com bezerros.

No episódio nº 7, viajamos para uma fazenda leiteira nos arredores de Hohhot, na Mongólia Interior, na China, onde uma ferramenta simples, mas poderosa, foi adquirida com boas intenções — e depois discretamente guardada em uma gaveta. Este episódio não trata, na verdade, de um refratômetro. Trata-se de comunicação, treinamento e do uso de dados para tomar melhores decisões.
O que está acontecendo?
A foto deste episódio mostra um refratômetro BRIX localizado na área de maternidade. O aparelho foi adquirido para estimar a concentração de IgG no colostro e melhorar o manejo de bezerros recém-nascidos.
Os gerentes haviam lido sobre a importância de testar a qualidade do colostro. Eles compreenderam que monitorar os valores de BRIX poderia ajudar a identificar colostro de baixa qualidade e reservá-lo para a segunda ou terceira mamada — garantindo, ao mesmo tempo, que o colostro de alta qualidade fosse usado na primeira mamada. Era uma boa ideia. Mas havia um problema.
Os funcionários não tinham recebido treinamento adequado sobre:
- Como usar corretamente o refratômetro
- O que os valores de BRIX significavam
- Quais ações deveriam ser tomadas após a medição
O refratômetro foi usado por alguns dias. Os funcionários não perceberam muita variação nos valores. Eles não entendiam como essas informações deveriam influenciar as decisões. Então, lá foi ele para a gaveta.
Não só na China
Uma situação semelhante ocorreu em uma fazenda leiteira no estado de Nova York, nos EUA.
Mais uma vez, o colostro foi testado por um curto período. Mais uma vez, os funcionários não entenderam totalmente o que estavam medindo nem por que os dados eram importantes. E, mais uma vez, os testes acabaram sendo interrompidos. Esses não são problemas de equipamento. São problemas de gestão e comunicação.
Onde as coisas dão errado
Havia duas questões principais em ambas as fazendas:
1. Falta de treinamento dos funcionários
Tecnologia sem treinamento é apenas equipamento. Se os funcionários não compreenderem:
- O que os números representam
- Quais limites são importantes
- Quais ações devem ser tomadas
então a medição perde todo o sentido.
2. Falha na comunicação
Um protocolo como a medição da qualidade do colostro não deve ser abandonado simplesmente porque os funcionários “não veem valor” nos dados.
Quando surge confusão, deve haver um diálogo entre:
- O responsável pela criação de bezerros
- O gerente da fazenda
- A equipe da maternidade
A coleta de dados deve estar vinculada à tomada de decisões.
Como os valores de BRIX são normalmente utilizados?
Muitas vezes — não muito bem.
Por exemplo, em uma fazenda em Indiana, o registro de nascimento de cada bezerro inclui:
- Sexo
- Se é gêmeo
- Vivo ou natimorto
- Data e hora do nascimento
- Data e hora de cada alimentação com colostro
Mas não havia registro da qualidade do colostro.
A fazenda identificava cada saco de colostro congelado com a data de coleta e o valor BRIX. Em teoria, os funcionários poderiam selecionar os sacos com o valor BRIX mais alto para as primeiras mamadas.
Na prática:
- Não havia um sistema de registro consistente
- Não havia avaliação de tendências
- Não havia monitoramento das variações sazonais
- Não houve análise dos efeitos da idade das vacas
- Não havia avaliação das diferenças entre os funcionários responsáveis pela coleta de colostro
Medir apenas o BRIX não é gestão.
Você gerencia o que mede — se você usar isso
Há um velho ditado:
“Você gerencia o que mede.”
Isso é verdade — mas incompleto.
Você também deve:
- Registrar o que você mede
- Analisar o que você registra
- Tomar decisões com base no que você analisa
Simplesmente fazer uma leitura do BRIX não é suficiente.
Bons programas de monitoramento do colostro acompanham:
- Mudanças sazonais
- Diferenças por paridade
- Efeitos da coleta tardia
- Consistência dos funcionários
- Tendências gerais do rebanho
O objetivo não é apenas identificar amostras de baixa qualidade. O objetivo é melhorar todo o sistema de manejo do colostro.
Recursos para um aprofundamento
Se você quiser saber mais sobre o monitoramento da qualidade do colostro, há vários recursos excelentes disponíveis, incluindo publicações da:
- Penn State Extension
- Universidade Estadual de Michigan
- Universidade de Cornell
E, é claro, as edições nº 39, nº 183 e nº 236 da Calf Notes oferecem orientações práticas adicionais.
Mensagens práticas para levar para casa
- A compra de equipamentos não melhora a gestão — o treinamento é que melhora.
- Os trabalhadores devem compreender o que significam os valores de BRIX e como agir de acordo com eles.
- Os dados sobre a qualidade do colostro devem ser registrados e analisados regularmente.
- A comunicação entre gestores e funcionários é essencial.
- Monitorar tendências é mais valioso do que uma única medição.
Consideração final
Os bezerros precisam de um bom colostro.
Mas as fazendas precisam de mais do que ferramentas. Elas precisam de sistemas, treinamento e responsabilidade. Meça. Registre. Analise. Aja. É assim que a melhoria acontece. Até a próxima.