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Introdução
A série de vídeos “O que está acontecendo?” analisa fotos e situações observadas em fazendas leiteiras ao redor do mundo e faz uma pergunta simples: o que está acontecendo aqui? Muitas vezes, a resposta revela algo importante sobre o manejo de bezerros.

O episódio 9 começa em uma fazenda leiteira nos arredores de Boise, em Idaho, nos Estados Unidos. Idaho se tornou uma das regiões leiteiras que mais crescem na América do Norte e agora está entre os principais estados produtores de leite. À primeira vista, a fazenda deste episódio parecia bem administrada. O colostro de vacas recém-paridas estava sendo coletado e congelado para uso posterior — uma prática importante que ajuda a garantir que os bezerros recebam colostro de alta qualidade em quantidade adequada, mesmo quando o colostro da mãe não está disponível ou é insuficiente.
O colostro era armazenado em um freezer, mas estava congelado em grandes baldes azuis de plástico. Cada balde comportava cerca de cinco galões americanos — quase vinte litros de colostro.
É aí que começa o problema.
Congelar o colostro é uma prática comum e útil, mas o tamanho do recipiente usado para armazenamento pode fazer uma grande diferença na qualidade do colostro que os bezerros acabam recebendo. Quando grandes volumes de colostro são colocados em um freezer, a parte externa do recipiente esfria rapidamente, mas o centro do líquido esfria muito lentamente. O resultado é que o colostro no meio do recipiente pode permanecer quente por muitas horas — mesmo quando a camada externa já está congelada.
Por que isso importa? A resposta está no crescimento bacteriano.
O colostro sai da vaca a aproximadamente 39 °C (cerca de 102 °F). Nessa temperatura, as bactérias se proliferam extremamente rápido. Mesmo o colostro relativamente limpo pode conter cerca de 10.000 bactérias por mililitro, e muitas amostras contêm muito mais do que isso. Se as condições permitirem que as bactérias se dupliquem a cada 20 minutos — uma estimativa razoável em condições quentes —, a população cresce muito rapidamente. Em apenas algumas horas, o número de bactérias pode aumentar drasticamente.
O desafio com recipientes grandes é que o colostro permanece na “zona de crescimento” bacteriano por um longo tempo antes de esfriar o suficiente para desacelerar a atividade microbiana.
Para ilustrar o problema, imagine colocar um balde grande de colostro morno em um estábulo de bezerros onde a temperatura do ar é de cerca de 25 °C (77 °F). Podemos criar “curvas de resfriamento”, usando a Lei do Resfriamento de Newton, modelando a superfície e o centro do recipiente como processos exponenciais de resfriamento separados. Isso nos dará uma estimativa razoável do que está acontecendo nessas duas áreas dentro do balde.

A superfície do líquido esfria com bastante rapidez e logo se aproxima da temperatura do ar circundante. Mas o centro do balde se comporta de maneira muito diferente. Como o calor se move lentamente através de um grande volume de líquido, o centro pode permanecer próximo à temperatura corporal por muitas horas. Em algumas situações, pode permanecer acima de 28 °C (82 °F) por quase um dia inteiro. Durante esse tempo, as bactérias têm uma oportunidade ideal para se multiplicarem.
A refrigeração melhora a situação, mas não tanto quanto muitas pessoas esperam. Se o mesmo balde grande de colostro for colocado em uma geladeira a 3 °C (37 °F), a parte externa esfria rapidamente, mas o centro do balde esfria muito lentamente. Mesmo após várias horas, o meio do recipiente ainda pode estar quente o suficiente para permitir o crescimento bacteriano. Na verdade, pode levar quase dois dias para que todo o recipiente atinja a temperatura da geladeira.

Congelar baldes grandes cria um problema semelhante. Quando um balde de colostro morno é colocado em um freezer a –20 °C (–4 °F), a superfície pode congelar relativamente rápido, mas o centro pode permanecer morno por muitas horas. A camada externa do colostro fica congelada, enquanto o interior ainda está líquido e quente. Pode levar quinze horas ou mais até que o centro finalmente congele e até dois dias para que todo o recipiente atinja a temperatura do freezer.
Em outras palavras, mesmo que o colostro acabe congelando, ele pode passar muitas horas em temperaturas nas quais as bactérias podem se multiplicar rapidamente.
Esse crescimento bacteriano é preocupante porque o colostro contaminado pode interferir na capacidade do bezerro de absorver imunoglobulinas e pode expô-lo a patógenos. Um dos principais objetivos do manejo do colostro é fornecer aos bezerros colostro limpo, que contenha altas concentrações de anticorpos e baixa contagem bacteriana. O resfriamento lento vai diretamente contra esse objetivo.
Felizmente, a solução é simples: armazenar o colostro em recipientes menores.
Muitas fazendas armazenam com sucesso o colostro em sacos plásticos para congelador, garrafas ou outros recipientes com capacidade de dois a quatro litros. Volumes menores resfriam muito mais rapidamente do que baldes grandes, o que reduz significativamente o tempo que o colostro permanece em temperaturas favoráveis ao crescimento bacteriano. Também estão disponíveis sistemas especializados de armazenamento de colostro que utilizam sacos de armazenamento duráveis e equipamentos projetados para pasteurizar, resfriar, congelar e descongelar o colostro com segurança.

Outra prática útil é o resfriamento rápido antes do armazenamento. Algumas fazendas colocam o colostro recém-coletado em garrafas ou sacos e os resfriam em geladeiras ou banhos de gelo antes de congelá-los. O resfriamento rápido ajuda a prevenir o crescimento bacteriano e preserva a qualidade do colostro.
O objetivo de um bom manejo do colostro é simples: os bezerros devem receber colostro limpo e de alta qualidade o mais rápido possível após o nascimento. A forma como o colostro é armazenado entre a coleta e a alimentação pode ter um grande impacto no alcance desse objetivo.
Baldes grandes podem parecer convenientes para armazenar colostro, mas esfriam muito lentamente e criam uma oportunidade para que as bactérias se multipliquem. Recipientes menores permitem que o colostro esfrie rapidamente, ajudando a preservar sua qualidade e garantindo que os bezerros recebam o colostro limpo de que precisam para um início de vida saudável.
Às vezes, a diferença entre um bom manejo e um manejo inadequado é surpreendentemente pequena. Nesse caso, pode ser simplesmente o tamanho do recipiente.